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O DC ganha projeção com pré-candidatura de Joaquim Barbosa e entra no debate sobre moralidade no STF

  • Foto do escritor: Jorge Augusto Derviche Casagrande
    Jorge Augusto Derviche Casagrande
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

O eleitorado tem demonstrado que não é simpático a alternativas “mornas” ou mesmo nomes vindos da esquerda. A antagonização ao atual arranjo PT-STF parece ser um dos principais fatores de decisão de muitos eleitores.


Por conta disso o sucesso do nome de Joaquim Barbosa como pré-candidato a Presidente da República pelo DC não deveria ser surpresa.


Barbosa carrega consigo uma imagem rara: a de um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal que, em determinado momento da história brasileira, foi visto por ampla parcela da população como uma voz dissonante dentro da própria Corte em favor da moralidade e na luta do aparelhamento de poder pelo Partido dos Trabalhadores por meio da corrupção, em esquema que se revelou na AP 470, conhecida como “Mensalão”.


Como relator do mensalão, tornou-se símbolo de enfrentamento à impunidade política. Mais do que isso: personificou, para milhões de brasileiros, a ideia de que o Judiciário poderia agir contra os poderosos, inclusive contra aqueles que se julgavam historicamente blindados pelo sistema.


Esse dado é politicamente relevante. O Brasil de 2026 não é o Brasil de 2012, mas a memória pública do mensalão ainda comunica algo forte: coragem institucional, enfrentamento de estruturas partidárias dominantes e resistência à acomodação palaciana.


E é justamente isso que o eleitor quer, recuperar a sincronia entre sua vontade e o comportamento de instituições como STF que, neste ano, é o foco das eleições. Seja no embate pelo Senado, tomando como centro de estratégia de poder pelos anos vindouros, ou seja para dar uma clara mensagem de que deseja votar pelos próprios desígnios e não ter “reis” eternos legislando e decidindo pervertendo desígnios institucionais.


Por conta da perversão institucional provocada por alguns ministros, seja pelo abuso de autoridade reiterado ou por condutas no mínimo imorais, o Supremo Tribunal Federal atravessa uma crise de imagem sem precedentes recentes.


Pesquisas apontam desconfiança elevada em relação à Corte e percepção majoritária de concentração excessiva de poder por seus ministros. Nesse ambiente, Joaquim Barbosa surge como personagem paradoxalmente externo ao atual desgaste do STF: foi ministro, presidiu a Corte, mas não se confunde com o ciclo atual de protagonismo judicial, ativismo político e erosão de legitimidade que atinge parte de seus antigos pares.


Essa distinção é essencial. Barbosa não é apenas “mais um ex-ministro do STF”. É alguém que, no imaginário político de parcela expressiva da sociedade, esteve em confronto com a ala podre da Corte.


É importante a mensagem que o DC mandou ao eleitorado, que não quer ser mero coadjuvante nas eleições de 2026, está realmente disposto a entrar em dabates sobre temas sensíveis e ir ao enfrentamento ao oposto de ser apenas uma sigla na extensa sopa de letrinhas partidárias do Brasil.


No entanto, para o DC, a mudança no plano nacional precisa irradiar coerência federativa. Se o DC pretende se apresentar como alternativa real, deverá promover ajustes semelhantes onde for necessário: substituir nomes, rever composições frágeis, abrir espaço para lideranças com legitimidade social e alinhar suas candidaturas estaduais a uma mensagem nacional compreensível.

O mérito da escolha de Joaquim Barbosa está exatamente aí: ela revela que o partido, ao menos neste episódio, preferiu a política viva à política cartorial.


Num país cansado de combinações de gabinete, isso além de um bom começo por parte do DC a nível nacional mostra que o partido está corrigindo o rumo para efetivamente ouvir a vontade do eleitor e garantir maior sucesso nas urnas em 2026.

 
 
 

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