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Bolívia: Esquerdo-terrorismo abastecido por mortadela brasileira? Nosso futuro pós derrota de Lula?

  • Foto do escritor: Jorge Augusto Derviche Casagrande
    Jorge Augusto Derviche Casagrande
  • há 16 horas
  • 5 min de leitura

Protestos! Quebradeira, vandalismo, ataque às polícias, narrativas falsas aproveitando o legado de pouco estudo e lógica de gerações de governos de esquerda. Tudo isso contra uma lei que favorecia o setor produtivo na Bolívia na hora de pedir financiamentos.


Quem vive no Brasil bem sabe, sem mortadela, sem protestos. Na Bolívia não parece ser diferente, mas a questão que preocupa é, até onde está o governo brasileiro envolvido e, em sendo esse governo derrotado, há chances reais de replicar as táticas de Evo Morales?


A Bolívia vive, neste momento, o vandalismo físico e institucional dirigido contra o setor produtivo por aqueles que perderam na urna. O estopim formal foi a reação à Lei 1720, norma que permitiria transformar pequenas propriedades agrárias em ativos aptos a servir como garantia de crédito, retirando delas parte de sua proteção tradicional contra constrição patrimonial. A medida foi, de forma maliciosa e premeditada, interpretada por setores camponeses, indígenas e sindicais como ameaça à segurança jurídica da terra. O que é normal, a esquerda ama explorar grupos de alta vulnerabilidade, cuja vulnerabilidade ela mesma cria por malícia ou por plena incompetência.


A fim de preservar o setor produtivo, duramente atingido por bloqueios e vandalismo, governo boliviano a recuar e revogar a lei e reabrir discussões visando maior participação e esclarecimento de todos os setores (inclsuive a educação da massa de manobra da esquerda). Mesmo assim, os protestos não cessaram. Pelo contrário: ampliaram-se. Não é surpresa, porque o protesto não é sobre a lei, é sobre Evo Morales tomar o poder, sem voto ou moral.


A inquirição correta no momento parece ser: ainda estamos diante de protesto social legítimo ou já ingressamos no campo da coerção política organizada?


Há uma diferença essencial entre manifestação popular e bloqueio sistemático da vida nacional. A primeira é expressão democrática. O segundo, quando empregado para impedir circulação, desabastecer cidades, constranger instituições e forçar a queda de governo recém-eleito, aproxima-se de técnica insurrecional. Trata-se de tática de guerra civil. E uma guerra custa caro, precisa ser financiada. Não se trata apenas de reivindicar; trata-se de impor, pela força coletiva, aquilo que não foi obtido pela via eleitoral.


A Bolívia durante décadas, foi laboratório político de um modelo estatizante, sindicalizado e profundamente dependente da mobilização de massas como instrumento de poder. A perda de hegemonia da esquerda boliviana, somada à eleição de um governo com discurso de reformas econômicas, cria um ambiente natural de resistência dos grupos que sempre orbitaram o Estado e dele extraíram influência, cargos, subsídios, regulação favorável e poder de veto.


Evo Morales, por muitos ligado ao narco-terrorismo, aparece, nesse contexto, como figura central de sombra. Autoridades bolivianas acusam lideranças oposicionistas, inclusive Morales, de incitar a instabilidade; Morales, por sua vez, manifestou apoio aos protestos e sustenta ser alvo de perseguição política.


Mas o ponto mais relevante talvez não seja apenas quem aparece na linha de frente. É quem financia, quem articula e quem se beneficia.


Vamos inquirir: Quem sustenta a logística de bloqueios prolongados? Quem paga deslocamentos, alimentação, combustível, comunicação, equipamentos, advogados, estrutura sindical e manutenção de massas nas ruas? Há financiamento interno? Há apoio de setores econômicos contrariados pelas reformas? Há dinheiro estrangeiro? Há redes políticas transnacionais interessadas em impedir que a Bolívia deixe de ser um polo ideológico da esquerda latino-americana?


A hipótese de financiamento externo não pode ser afirmada sem prova. Seria juridicamente irresponsável imputar, sem documentos, a participação direta de governos, empresas ou operadores estrangeiros. Mas também seria extrema ingenuidade analítica excluir essa possibilidade num continente em que partidos, sindicatos, ONGs, movimentos sociais e estruturas paraestatais historicamente operam em redes de influência regional. Mesmo porque trata-se de um movimento mortadelístico que bem conhecemos no Brasil.


Inquirimos mais: Há interesses brasileiros nisso? Há setores políticos, empresariais ou ideológicos no Brasil interessados em preservar a Bolívia dentro de determinada órbita geopolítica? Existem canais indiretos de apoio? Há fundações, intermediários, operadores privados ou entidades de fachada financiando mobilização política fora do país? O governo brasileiro tem alguma atuação, ainda que informal, nesse ambiente? Ou se trata apenas de convergência ideológica sem financiamento direto?


O que se sabe é que a crise boliviana ocorre em um momento sensível para toda a América Latina. A esquerda continental enfrenta desgaste profundo. Seu discurso de justiça social convive, cada vez mais, com resultados práticos de empobrecimento, aparelhamento estatal, inflação, dependência de subsídios, erosão institucional e hostilidade à livre iniciativa. Quando perde voto, tende a recorrer à rua. Quando perde o Estado, tenta tornar o país ingovernável. Quando perde a narrativa, acusa o adversário de destruir direitos populares.


A Bolívia pode estar demonstrando um padrão que interessa diretamente ao Brasil.


Se um governo de direita vencer no Brasil e tentar implementar reformas estruturais, redução do peso estatal, revisão de subsídios, privatizações, abertura econômica e enfrentamento de corporações públicas ou sindicais, é razoável imaginar reação terrorista semelhante e provavelmente financiada com capital estrangeiro. Bloqueios, ocupações, greves políticas, judicialização coordenada, pressão internacional, campanhas de desinformação, acusações de autoritarismo e tentativa de inviabilizar o governo antes que ele produza resultados.


A experiência boliviana, portanto, não é apenas boliviana. É um aviso.


O problema não está no direito de protestar. O problema está na conversão do protesto em arma de sabotagem institucional e fazer o setor produtivo refém de guerra. Democracia não é apenas o direito de ir às ruas. É também o dever de respeitar o resultado das urnas, a autoridade do governo eleito e os mecanismos legais de oposição. Quando movimentos organizados tentam substituir a eleição pela intimidação coletiva, deixam de atuar como atores democráticos e passam a operar como força de coerção.


A pergunta final é a mais incômoda: o que está acontecendo na Bolívia é uma convulsão social espontânea ou um ensaio de retomada de poder por meios extrainstitucionais?


A resposta ainda depende de prova. Mas a sequência dos fatos justifica suspeita, vigilância e investigação. A revogação da lei que teria originado os protestos não pacificou o país. As reivindicações se ampliaram. A renúncia do presidente passou a ser palavra de ordem. Grupos organizados mantiveram pressão sobre infraestrutura estratégica. A crise deixou de ser apenas agrária. Passou a ser política.


E quando uma pauta específica se transforma rapidamente em exigência de derrubada de governo, a pergunta deixa de ser “qual é a reivindicação?” e passa a ser “qual é o projeto de poder por trás dela?”.


A Bolívia talvez esteja diante de sua melhor oportunidade em décadas para romper com o ciclo de estatismo, pobreza administrada e captura sindical do Estado. Mas exatamente por isso enfrenta resistência. Nenhum sistema de poder consolidado durante tantos anos desaparece sem reagir. E, na América Latina, a reação raramente se limita ao debate parlamentar.


É uma batalha continua, mas temos fé que o setor produtivo irá prosperar e a doença narco-esquerdista irá ser curada.



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