A Armadilha do Iguaçu: O avanço de Moro e o dilema governista na pesquisa Veritá
- René Santos Neto
- há 3 dias
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O crescimento de Sergio Moro, que flerta com a vitória no primeiro turno, expõe o paradoxo do Palácio Iguaçu: esvaziar Rafael Greca para alavancar Sandro Alex pode entregar o estado ao ex-juiz por antecipação.
A eleição para o governo do Paraná em 2026 desenha-se como um xadrez onde o erro de cálculo de um lado pavimenta a via expressa do outro. Os dados divulgados pelo Instituto Veritá confirmam uma tendência que o Palácio Iguaçu tenta reverter: a consolidação hegemônica do senador Sergio Moro (PL). Com um pacto de não agressão velado à gestão estadual, Moro atinge um patamar que sugere a liquidação da fatura já no primeiro turno, capturando o eleitorado de centro-direita que aprova o atual governo, mas anseia por uma grife nacional. O governador Ratinho Junior (PSD) vive um paradoxo estratégico. Após impulsionar Sandro Alex com entregas de infraestrutura, como a Ponte de Guaratuba, o governo vê seu pupilo crescer timidamente, enquanto Rafael Greca desidrata. O problema latente é que a queda do ex-prefeito parece alimentar diretamente o espólio de Moro, criando o risco de entregar o estado ao ex-juiz por antecipação caso a máquina force a retirada de Greca da corrida para compor uma vice governista.
A radiografia deste cenário é fornecida pela pesquisa Veritá, registrada no TRE sob o número PR-06944/2026, que ouviu 2.010 eleitores entre 29 de abril e 3 de maio, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos. No principal cenário estimulado, Sergio Moro atinge contundentes 58,6% dos votos válidos, índice suficiente para encerrar a eleição sem segundo turno. O deputado estadual Requião Filho (PDT) aparece na segunda colocação, isolado com 20%. O congestionamento e a divisão governista ficam evidentes com o empate técnico entre Rafael Greca, com 9,8%, e Sandro Alex, colado com 9,6%. O desempenho de Sandro Alex animou o Palácio Iguaçu, pois representa um avanço real e fora da margem de erro em relação aos 6% registrados pela pesquisa Genial/Quaest no final de abril, evidenciando o impacto midiático das obras no litoral. A escalada de Moro também é nítida e consistente quando comparada aos 52,8% que ele detinha no melhor cenário da sondagem AtlasIntel do final de março. Contudo, a apatia do eleitor comum ainda é uma barreira: a pesquisa espontânea revela que impressionantes 71,7% dos paranaenses não sabem em quem votar quando os nomes não são apresentados. Entre os 28,3% que já decidiram espontaneamente, Moro massacra com 65,8% da preferência, seguido por Requião com 18,2%, e pelo próprio governador Ratinho Junior (inelegível) sendo lembrado por 4,3%.
A dinâmica de migração e a análise de rejeições revelam as armadilhas da articulação partidária. Quando questionados sobre uma segunda opção de voto — excluindo o candidato escolhido na primeira pergunta —, Greca assume a liderança com folga, atingindo 42,7%, seguido por Sandro Alex com 22%. Esse teto do ex-prefeito como "voto 2" demonstra que o eleitorado o enxerga como um plano B palatável, o que justifica o interesse contínuo do Iguaçu em atraí-lo como vice de Sandro Alex para garantir os votos da capital. No entanto, é a rejeição que define o piso limitante dos candidatos: Requião Filho lidera a lista dos que os eleitores não votariam de jeito nenhum com 49,3%, consolidando um teto ideológico intransponível para a esquerda, enquanto Moro é o segundo mais rejeitado com 31,6%. Sandro Alex e Greca ostentam rejeições residuais de apenas 5,6% e 6,2%, respectivamente, o que reflete uma janela de oportunidade e um perfil de moderação, mas também um alto grau de desconhecimento no interior profundo.
Sob a ótica das políticas públicas e da governabilidade, o pleito de 2026 caminha para ser um referendo sobre o foco de atuação do Estado. A plataforma de Sandro Alex ancora-se no "efeito cimento", na economia do cotidiano e nas pesadas obras de logística que definem a atual gestão. Em contrapartida, a tração avassaladora de Moro indica que o apetite de mudança de parte expressiva da população repousa na pauta institucional, projetando a agenda anticorrupção e de segurança para o comando do Executivo. A campanha do ex-juiz, orientada de forma meticulosa, evita embates diretos com Ratinho Junior — que goza de 80% de aprovação — e canaliza o antagonismo exclusivamente contra o governo federal, esvaziando as possibilidades de ataque do Iguaçu. Apesar dessa geometria desfavorável ao governo, a análise exige cautela contra futurologias. O abismo da pesquisa espontânea indica que a eleição ainda não começou para sete em cada dez eleitores. Ademais, a métrica de 58,6% de Moro refere-se exclusivamente aos votos válidos, um recorte estatístico que naturalmente infla os percentuais. Para a próxima rodada, os indicadores-farol estarão focados em medir se Sandro Alex conseguirá romper a barreira dos dois dígitos e se Greca cederá à pressão pela vice ou atuará como contenção no MDB, elementos decisivos para saber se o Palácio Iguaçu terá fôlego para barrar a vitória antecipada de Moro.
Referências
Instituto Veritá. Pesquisa de Opinião Pública – Paraná. Campo: 29/04–03/05/2026. Amostra: 2.010. Margem de erro: ±2,5 p.p., 95% IC. Registro TSE: PR-06944/2026.
TNOnline. Pesquisa Veritá: Moro lidera corrida ao Governo, mas espontânea tem 71% de indecisos [Internet]. 2026 mai 06 [citado 2026 mai 06].
Blog Politicamente. Pesquisa Veritá anima Palácio Iguaçu e QG de Sergio Moro [Internet]. 2026 mai 06 [citado 2026 mai 06].
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