DEMOCRACIA CRISTÃ DO PARANÁ DEFINE POSIÇÃO PARA 2026 EM MEIO A DESAFIOS EXISTENCIAIS DEIXADOS PELA EXECUTIVA ANTERIOR
- Jorge Augusto Derviche Casagrande
- há 4 horas
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Nova Direção do DC Encontra Partido em Ruínas e Reorganiza Estratégia para 2026
O Democracia Cristã do Paraná definiu, em Convenção Estadual, sua posição para as Eleições Gerais de 2026. A legenda não apresentará candidaturas próprias aos cargos de Governador, Vice-Governador e Senador, mas manterá candidaturas às vagas de Deputado Federal e Deputado Estadual.
A decisão não decorre de improviso, acomodação política ou falta de disposição para a disputa. É consequência direta da situação de grave desorganização administrativa, contábil e institucional encontrada pela atual direção estadual, que assumiu o comando do partido em 15 de julho de 2026.
Ao tomar posse, a nova gestão encontrou o cadastro nacional do órgão partidário estadual inapto desde 14 de maio de 2026, por omissão de declarações obrigatórias. A irregularidade, portanto, é anterior à atual administração e foi herdada de uma direção que deixou para trás não apenas pendências, mas um verdadeiro campo de ruínas burocráticas.
A grave situação se repete também na esmagadora maioria das provisórias municipais, que foram igualmente abandonadas pela estrutura estadual.
Em 3 de agosto de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná expediu a Certidão nº 001/2026, informando que o próprio sistema da Justiça Eleitoral não permite vincular o CNPJ à atual composição partidária. Como consequência prática, o Democracia Cristã do Paraná sequer dispõe, neste momento, de conta bancária regular em funcionamento.
Em outras palavras: a nova direção recebeu um partido politicamente cobrado como se estivesse em plena normalidade, mas administrativamente impedido de realizar atos elementares de sua própria existência jurídica e financeira.
Ainda assim, em apenas vinte dias de gestão, e utilizando recursos próprios, a nova direção reuniu documentos, contratou assessoria contábil especializada e protocolou pedido de regularização perante a Receita Federal.
Enquanto alguns deixaram omissões, bloqueios e problemas, a atual gestão precisou começar pela tarefa mais básica: reconstruir o partido para que ele volte a funcionar.
Diante desse cenário, somado à inexistência de pré-candidaturas majoritárias que reunissem simultaneamente condições jurídicas, estrutura partidária e viabilidade eleitoral, a Convenção concluiu que a responsabilidade institucional recomendava rejeitar aventuras eleitorais e concentrar esforços na reorganização da legenda.
Também diante da situação documental do partido ponderou-se que não seria responsável lançar candidatos à proporcional, uma vez que estes poderiam realizar elevados investimentos para, futuramente, provavelmente ter a candidatura não homologada em razão da situação documental do partido. O DC, portanto, decidiu preservar suas lideranças do risco.
Em convenção, também ficou deliberado que o Democracia Cristã do Paraná trabalhará para reconstruir sua estrutura com vistas aos projetos municipais de 2028 e cooperará ativamente com o Partido Liberal na elaboração de um plano de governo para a chapa formada por Sérgio Moro e Edson Vasconcelos, uma vez que se trata do projeto mais politicamente alinhado com as diretivas do partido.
JURÍDICO DO PARTIDO DESCOBRE QUE A CANDIDATURA DE TONY GARCIA NUNCA FOI JURIDICAMENTE VIÁVEL, A INFORMAÇÃO ERA OCULTADA DE INSTITUTOS DE PESQUISA E IMPRENSA
A suposta pré-candidatura ao Governo do Estado atribuída ao senhor Antonio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, jamais reuniu condições jurídicas concretas de viabilidade.
E isso não decorre de decisão da atual direção do Democracia Cristã. Trata-se de impedimento anterior, objetivo e formalmente documentado.
O jurídico do partido identificou decisão publicada no Diário da Justiça Eletrônico Nacional em 31 de julho de 2026, nos autos do Agravo de Instrumento nº 0099650-91.2026.8.16.0000, em tramitação perante a 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, Tony Garcia celebrou Acordo de Não Persecução Cível com o Ministério Público do Estado do Paraná, posteriormente homologado judicialmente.
Nesse acordo, assumiu a obrigação de não se candidatar a cargo eletivo pelo prazo de oito anos, sob pena de multa de R$ 10 milhões, com incidência prevista desde o protocolo de eventual pedido de registro de candidatura.
O interessado ajuizou ação buscando afastar ou anular essas obrigações. O pedido foi indeferido em primeira instância, e a tutela recursal foi negada pelo Tribunal de Justiça em 22 de julho de 2026.
Até o presente momento, portanto, as cláusulas permanecem válidas e exigíveis.
Não havia, assim, candidatura juridicamente segura a ser retirada, barrada ou inviabilizada pela nova direção. Havia apenas uma narrativa política desconectada da realidade processual.
Transformar uma obrigação judicialmente assumida em suposta perseguição partidária pode servir à retórica, mas não altera os autos, não suspende decisões judiciais e tampouco elimina a multa de R$ 10 milhões prevista no acordo.
ABANDONO ADMINISTRATIVO DO PARTIDO POR GOMYDE E VÍNCULO DO MESMO EM CARGO COMISSIONADO DO PSD SERÁ APURADO PELAS VIAS ADEQUADAS
A Convenção Estadual também registrou que os prejuízos causados ao partido e aos seus candidatos pela desorganização administrativa herdada da gestão anterior serão apurados pelas vias próprias.
A apuração alcançará as circunstâncias em que o órgão estadual foi deixado com CNPJ inapto, sem conta bancária regular e impossibilitado de vincular sua nova composição aos sistemas da Justiça Eleitoral em pleno período eleitoral.
A responsabilidade pela condução anterior era do então presidente estadual Ricardo Gomyde, que, paralelamente, exercia, e continua exercendo, cargo comissionado junto à Liderança do PSD na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, com remuneração mensal situada na faixa de R$ 25 mil.
Enquanto o Democracia Cristã acumulava omissões declaratórias e caminhava para a inaptidão cadastral, seu então dirigente permanecia remunerado em estrutura vinculada a outra agremiação partidária.
A coincidência política é, no mínimo, constrangedora. As consequências jurídicas, administrativas e financeiras, contudo, não serão tratadas como mera coincidência.
Os fatos serão documentados, as responsabilidades serão individualizadas e eventuais prejuízos poderão ser cobrados de quem efetivamente lhes deu causa.
O Democracia Cristã do Paraná inicia, agora, uma nova etapa: menos dedicada a projetos pessoais, encenações eleitorais e discursos de conveniência, e mais comprometida com organização, responsabilidade e reconstrução institucional.

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